27.2.08

Crème Brûlée

Sou fascinado por crème brûlée. Talvez por ser escrito com essa quantidade de acentos. Talvez por causa do encanto da chama azul do maçarico ao queimá-lo diante o freguês. Ou talvez por ser simplesmente divino.

Recentemente estive no restaurante Splendido, em Belo Horizonte, para comemorar dois anos junto de Lorena, minha amada. Ela jamais havia provado um crème brûlée. Ao estudarmos o cardápio, o encontramos como opção. Imediatamente decidimos por fim a sua virgindade absurda e pedimos a sobremesa. Assim como a primeira vez de muitos, ela se decepcionou. "O quê? É isso?", disse. Depois de tê-lo provado, também fiquei insatisfeito. Ela continuava com a implicância: “Esperei tanto tempo para provar um mingau? Não é possível!”. Implorei a Lorena que esquecesse aquele momento e desse uma segunda chance ao crème brûlée. Por tê-lo preparado inúmeras vezes, tinha total conhecimento de sua potencialidade. Disse a ela que somente poderia julgá-lo depois de provar a minha receita, a melhor que conheço (desculpe caro leitor, mas prefiro ser presunçoso e sincero que humilde e mentiroso).

Na noite do Oscar preparei para Lorena e um grupo de amigos a minha receita de crème brûlée. Foi uma diversão só. Todos quiseram queimá-lo um bocadinho. Revezamos o maçarico como se fosse um cachimbo da paz. Depois, ao notar que a crosta de açúcar já havia endurecido, fiquei de olho em Lorena. Ela deu uma colherada, colocou-a na boca e fechou os olhos. Em seguida, disparou: “Huuum... Uau!!! É uma das melhores sobremesas que já comi em minha vida!”. Preferi nada dizer. Apenas sorri com o canto da boca.

Obs: A pedido do meu amigo Morgan, que ficou encantado com o crème brûlée depois de tê-lo visto no filme Amelie Poulain, segue abaixo:

Minha Receita Favorita de Crème Brûlée

Numa panela, colocar 500 ml de creme de leite fresco, as sementes de 1/3 de fava de baunilha (pelo que eu sei o único lugar onde esta é encontrada é na Banca Santo Antônio do Mercado Central. Dica: Depois de ter usado as sementes de baunilha, guarde a fava enterrada num pote de açúcar), 3 sementes de cardamomo, e 60 gramas de açúcar refinado. Deixar sobre o fogo até levantar fervura.

Enquanto isso, numa bacia colocar: 5 gemas passadas por uma peneira, raspas de uma laranja, e 60 gramas de açúcar. Bater bem com um fouet ou uma batedeira até ficar esbranquiçado, como a textura de um creme.

Juntar um pouquinho (mais ou menos uns 150 ml.) do líquido quente à mistura de gemas. Misturar com o fouet. Depois juntar o restante.

Colocar uns três dedos de altura da mistura em forminhas (de preferência em ramekins brancos frisados, os mesmos usados para fazer suflês). Levar ao forno baixo em banho-maria (ou seja, as forminhas dentro de uma assadeira, com água até a metade. Uma dica: coloque a assadeira com as forminhas dentro do forno e só depois acrescente a água. É mais fácil.) por cerca de 50 minutos ou até endurecer. Deixar esfriar. Levar à geladeira coberto com filme plástico.

Na hora de servir, cobrir o creme com uma camada de açúcar (de preferência, cristal) e passar o maçarico para formar uma crosta dourada.

2 comentários:

lorena disse...

Querido, realmente fui aos céus depois de provar o seu Créme Brûlée. E, hoje com vc viajando, e, após ter deixado um restinho na geladeira, constantemente fico me lembrando de ti... ai que maravilha... todo dia dou uma colherada para não acabar... Bjs e obrigada por esta inesquecivel experiencia!!! Lô

Anônimo disse...

Caríssimo!!!

finalmente eu escrevo em seu blog. Primeiramente peço desculpas pela longa ausêcia....
Como você sabe, devo quase 100% de minhas experiências gastronômicas a você e aos belos jantares que já tive o privilégio de ajudá-lo.....para tentar aprender um pouco...e em uitas saídas por aí.
Embora não seja muito de escrever acompanho seus trabalhos e tenho grande admiração por você!

Um abraço e obrigado pela receita

do amigo Morgan